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Malu Gaspar

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Debate na Band: Lula e Flávio — Foto: Renato Pizzutto/Band
O debate presidencial da Band, que marcou o primeiro confronto ao vivo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nestas eleições, provocou reações diversas nos grupos focais encomendados pelas campanhas dos dois lados. Esses grupos são formados pelas equipes de comunicação com eleitores de todas as tendências que assistem ao programa e comentam em tempo real. É a partir do que se diz ali que as estratégias e discursos vão sendo ajustados.
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Segundo fontes da equipe de campanha do PT, em seus grupos a postura de Flávio foi considerada “desrespeitosa” e “infantil” com Lula, “um senhor”, enquanto na do bolsonarista o presidente da República teria sido considerado “raivoso”.
“Flávio não discutiu propostas e foi desrespeitoso com um homem idoso”, relatou um ministro do primeiro escalão do governo Lula ouvido reservadamente pela equipe da coluna, a par das pesquisas qualitativas encomendadas pelo QG petista.
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Uma diferença de trinta e cinco anos de idade separa os dois presidenciáveis: Lula tem 80 anos e Flávio, 45. O “gap” geracional despertava apreensão do lado petista, principalmente com as reações de Lula às provocações do filho 01 de Jair Bolsonaro.
Do lado do PL, a leitura foi a de que a postura de Lula foi “raivosa” e “confusa” ao longo do programa, sem esconder a irritação com temas levantados por Flávio Bolsonaro, como a lobista Roberta Luchsinger, e a postura do senador de caminhar livremente pelo palco, inclusive durante as falas do presidente da República.
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“Os eleitores já não aguentam mais nem ouvir a voz do Lula, e quando ele adota uma atitude de irritação isso fica pior”, diz um dos estrategistas do time de Flávio.
Deslizes
Claro que, ao conversar com a equipe da coluna, cada lado procurou ressaltar os pontos fracos do adversário. Mas os estrategistas também admitiram deslizes de seus próprios candidatos.
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No caso do PT, a resposta do presidente da República sobre a redução da maioridade penal dividiu os eleitores. O tema marcou uma guinada do presidente da República, que passou a defender a redução da maioridade de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, colidindo com uma postura histórica do PT de se opor a qualquer iniciativa nesse sentido.
Já o time de Flávio Bolsonaro detectou que caiu mal entre os eleitores a falta de uma resposta clara à pergunta de Lula sobre se ele tentaria reverter o fim da escala 6x1 caso ganhe a eleição. Por isso, no bloco seguinte, o candidato tomou o tempo de uma pergunta sobre segurança pública para explicar o voto a favor do fim da 6x1, mas frisou no programa que defenderá mais flexibilidade em contratações.
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Os assessores de Flávio também preferiam que ele tivesse respondido de forma mais clara a pergunta sobre a proposta que o candidato fez enquanto senador de remover as marcas das cápsulas de balas usadas por forças de segurança, que ajudam a identificar a origem dos projéteis e apurar o destino de material desviado para o crime organizado. “Ele deveria ter dito que isso não existe”.
Provocação
Conforme informou a equipe do blog, Flávio Bolsonaro apostou as fichas numa estratégia de provocação e repetiu um roteiro adotado pelo pai, Jair Bolsonaro, ao trazer uma espécie de “cola” na mão. Segundo aliados, o recurso serviu para despertar a curiosidade do telespectador, mas também para deixar o adversário apreensivo com o conteúdo da anotação.
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No programa, Flávio mostrou que tinha escrito a palavra “Corrupto” na mão esquerda.
“Corrupto tem duas letrinhas: 'PT’”, disse o candidato mostrando a mão com a palavra.
A participação de Flávio despertava apreensão entre aliados, já que Lula é considerado um oponente com mais experiência e desenvoltura nesse tipo de embate – e o histórico do senador inclui um mal-estar num debate em 2016, também na Band, quando concorria à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSC e abandonou o programa no intervalo.
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