Cães de grande porte não apenas tendem a viver menos do que os pequenos, como também apresentam um envelhecimento mais acelerado em marcadores do DNA.Um estudo publicado na última quinta-feira (8/10), na revista Science, encontrou alterações mais intensas em elementos transponíveis, conhecidos como “genes saltadores”, dos animais maiores. O nome se refere a trechos de DNA capazes de mudar de posição no material genético. Leia também É o bicho!Patas dos cães escondem estruturas com funções importantes; conheça É o bicho!Nutrição correta reduz o risco de distúrbios intestinais em cães e gatos É o bicho!Petiscos para cães: veterinária explica quais opções oferecer e quando dar É o bicho!Maus-tratos a cães e gatos na Espanha pode render multa de até R$ 1 milhão Como o envelhecimento foi medidoOs pesquisadores analisaram 1.640 perfis de metilação do DNA de 894 cães de companhia inscritos no Projeto de Envelhecimento Canino, dos Estados Unidos. A metilação consiste em marcas químicas que ajudam a regular a atividade do material genético e cuja distribuição muda com a idade.Com os dados, a equipe desenvolveu uma ferramenta para estimar a idade epigenética dos animais, uma medida molecular do envelhecimento. O resultado foi comparado à idade cronológica, correspondente ao tempo desde o nascimento.Cães com idade epigenética acima da esperada apresentaram maior risco de mortalidade. Os animais maiores, os machos e os indivíduos mais jovens exibiram padrões moleculares de envelhecimento mais acelerado em relação ao esperado para a idade.O que mudou no DNA dos cães grandesAs maiores diferenças relacionadas ao porte apareceram nos elementos transponíveis. Ao longo do envelhecimento, os trechos perderam metilação, e a alteração associada à idade foi 31% mais intensa nos cães maiores.O padrão ocorreu em diferentes classes de sequências móveis, com destaque para os elementos chamados LINE1, considerados evolutivamente mais jovens. Já as diferenças entre machos e fêmeas foram mais pronunciadas no cromossomo X.Os resultados mostram que a menor expectativa de vida vem acompanhada de um envelhecimento molecular mais acelerado, com alterações em regiões específicas do DNA.Segundo os autores, os achados ajudam a investigar os mecanismos do envelhecimento e podem contribuir para pesquisas sobre doenças relacionadas à idade, inclusive em humanos.







